Os pássaros cantam, momentos cantos longos, momentos cantos curtos .
Penso que estão falando de mim. E por que penso isso, como os pássaros falariam de alguém?
Não sei, mas, de repente aqui diante deste cenário entre árvores em um dia de sol e chuva – chuva e sol, sob sombras destas árvores, as quais não sou capaz de identificar suas espécies, mas o que vejo são troncos fortes, muito altas frondosas e suas folhas são tão leves que de onde me encontro se fecho os olhos ouço juntamente com o canto dos pássaros, uma sinfonia de folhas sedas sutis.
O vento neste entardecer e o sol que venceu a chuva encantam e formam o cenário perfeito – quando percebi havia pensado em tantas coisas – sobre a vida, sobre o viver, tanto mais ainda no ser, dúvidas sobre o estar, certezas no querer e nas feridas abertas o pensamento profundo novamente fez doer.
E doeu tanto que desisti de pensar no que está fora de controle – pensei, sobre o que pensar aqui neste lugar?
Se nada do que me esforçar para pensar, vai me tirar do vazio em que me encontro, da introspecção, dor, saudade e tantas dúvidas.
Foi então que resolvi não perder meu precioso tempo, este cenário espetacular a sinfonia de folhas de seda e o canto dos pássaros a tagarelar – suponho que sejam fofocas sobre mim.
E eles já perceberam que estou só e triste, que algo me falta e, eles permanecem a horas tentando adivinhar, não creio ser possível pássaro me decifrar.
Posso ouvi-los, seus cantos distantes e, os mais próximos cantos cheios de alegria, os de braveza e os de zombaria.
Mas os felizes pássaros não puderam ouvir se quer o som da minha respiração, nem meus suspiros, nestas horas de espera sob as sombra desta árvore, não ouviram minha risada muito menos minha voz.
Penso que alguns fazem piadas outros me provocam, e outros ainda se esbravejam com minha quietude aparente.
E deles eu continuo a pensar e, de tantos pensares, penso que eles jamais poderiam escutar os gritos desta alma que sofre e as batidas deste coração.
Não seriam capazes de ouvir minha história e, depois dela voltar a cantar, pois, minha história escrevi movida pela fé esperança e amor, coragem também nunca faltou, mas tem muita tristeza e dor.
Contudo hoje já não sou mais a mesma não sei o que pensar, nem sobre o que pensar, se a fé me faltou foi porque antes faltou o amor.
Um amor desejado esperado proferido, peso tê-lo vivido – em seguida não penso em mais nada. Volta toda confusão.
Em meio ao cenário e pássaros, vou fugir do pensar da razão, assim penso no que me cabe pensar, neste triste coração.
Já que surgiu o coração tão cego, surdo, burro e, que sem noção vai tirando de vez a emoção debaixo desta sombra, me ocorre nada mais nada menos do que o amor para pensar, se é um assunto que jamais se esgotará, é deste que vou falar pelas facetas do verbo amar.
Assim olho à direita, à minha frente, à esquerda e para o alto e vejo o amor neste exato lugar.
Minha visão sobre o amor se dá aos amores impossíveis aqueles que chegam, nos viram de pernas pro ar, os amores inexplicáveis nem sempre amáveis a não ser pelos próprios amantes.
Nesta árvore que me refiro cujo tronco imponente cresce e, forma uma bifurcação nada comum – divididos em dois outros galhos, com a mesma proporção, vão subindo e se subdividindo em muitos outros de diversos tamanhos e circunferências demasiadas. E o que vejo é um grande número de encontros e despedidas, oras entrelaçados, oras separados.
E isto me basta para pensar no amor, e pela linguagem do amor vejo galhos que representam seres amantes ou não, vejo por eles desencontros, daqui donde estou percebo que se fosse João e Maria a suposta subdivisão em galhos cedo ou tarde iriam se reencontram.
Vezes se encontram vezes se perdem, nestas ramificações existem muitas outras Maria’s e João’s representados por ramos que lembram as pessoas que surgem a todo tempo em nossas vidas, e como pessoas, alguns são mais expressivos outros mais frágeis e pequenos brotos que não vingam, curvas e mais curvas que encontram e desencontram a todo momento.
Assim como as pessoas que com seu amor chegam em nossas vidas e permanecem, tornam-se ramificações dignamente fortes capazes de superar as chuvas os ventos e o tempo.
O amor se contorna com o tempo, sobrevive às tempestades e se fortalece na união, já as paixões são como folhas outrora vivas caídas no chão como aquelas pessoas que passam pela nossa vida e se quer mais tarde lembramos seu nome.
Tá e daí?
Por que estou novamente escrevendo o óbvio?
Talvez porque não simplesmente ao escreva e desenhe sentires com palavras.
Um pouco mais adiante nesta viagem percebo flores, associo com crianças, amigos e os velhos sábios que tanto nos ensinam nesta vida, basta que ouçamos suas palavras e alimentemos nosso espírito com o que é essencial.
Uma árvore vive mais do que muitas pessoas, pode transpor gerações e, o que o amor impossível tem com isso?
Tem que nossos tempos e relógios são distintos e quando uma folha desta árvore, galho ou seu próprio tronco morrer irá apodrecer como mortais amantes fazem o processo de decomposição e renascimento no solo, enquanto os amantes se refazem no espírito e, não importa em que raio de jardim a muda vingará, ou em que parte do mundo a vida fecundará.
Cedo ou tarde os amores impossíveis se reencontrarão, nem que seja para novamente estar em paralelos, depois separarem-se encontrarem-se e morrerem e de novo renascer, como disse acredito que, os tempos são distintos, mas não importa quantas vidas nascer e morrer serão necessárias, creio que um dia deixará de ser um amor impossível e, se tornará apenas um amor para se viver.
Os pássaros silenciaram e, se não fosse loucura assumida arriscaria dizem que eles estavam a ouvir meus pensamentos e dentro dessa loucura falta–me lucidez, chego a pensar que talvez sejam capazes do meu escrito ler.
BB®