terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dia das Crianças? Crianças tem dia?

12/10/2009


Dia das Crianças, eca, eca, eca...
Que grande meleca!


Que não gosto do Natal, dia das mães, pais, aniversário, carnaval e todas essas datas idiotas e hipócritas, nada tem de novo, qualquer um que me conhece um pouco sabe que sou um porre nestas datas, que me escondo, pego a naninha e vou para a ostra mesmo.


Vamos combinar dia das crianças é demais para minha cabeça, quem foi o imbecil que estabeleceu um dia para as crianças? Será que ele se deu conta de que a maioria das nossas crianças – falo nossas, pois juntamente com vários pais voluntários sou mãe de muitas – elas não tem família, carinho, educação e aconchego, como vão ter um dia somente para elas? Quem é que vai fazer o curativo, quem vai por de castigo, quem vai dar o banho, tirar a meleca do nariz, levar ao médico, trocar a fralda, segurar o guarda-chuva?
Quem vai preparar o leitinho, entregar o nana depois de escovar os dentinhos e fazer xixi?
Se ainda sei fazer conta temos 365 dias por ano e só um deles é dia das crianças, os outros a maioria das crianças que me cercam já tem demais, inclusive minhas filhas, que são as mais sem noção que poderia conviver perto.
Abrem a geladeira e, na falta de algo que nem elas sabem o que seria reclamam; “não tem nada para comer nesta casa”, assim como nunca tem o que vestir e sempre tem de comprar alguma coisa, sempre falta alguma coisa e, claro, nunca dizem obrigada mãe.
Automático, isso mesmo!
Sinto-me assim, como um caixa eletrônico ambulante, tudo vai bem quando elas dizem a senha; “mãe eu quero, me dá?” e, para alegria instantânea “delas” estendo a mão.
Mais uma volta ao shopping e surgem necessidades, nunca antes cogitadas, potencializadas praticamente urgentes; Caso de vida ou morte e, lá vai a mãediota estender a mão...
Bem, era pelo menos para funcionar, pois minhas pernas e a cabeça, estão disputando qual dói mais, já é hora de validar o ticket e me pirulitar, então dou logo o que as chatonildas querem para poder dirigir em “paz” até chegar até nossa casa.
Santa ilusão... A briga já começa na hora, por quem vai sentar no banco carona, continua pela música e, aí de quem falar primeiro uma piadinha sobre a outra, quem dirá se a inspirada resolver soltar um pum, nesta hora meu ouvido vira pinico e, nada além a fazer do que dar uma de maluca.
O que seria uma mãe maluca? Nenhum desafio a minha sempre foi; Difícil é ser uma mãe normal, nos dias em que os filhos pouco se lembram da gente, quando nos abandonam pelo PC, pela TV, pelo namorado ou pelo melhor amigo.
Fico pensando, porque não fui maluca e segui o conselho da minha mãe maluca e arrumei um namorado gostosão, ou um maridão gostosão antes de ficar com cabelos brancos e, com a cara amarrotada?
Deve sem porque ainda estou curtindo uns cabelinhos brancos que estão surgindo e me deixando oras com ares de intelectual, oras brigam com minha falsa aparência de menina sapeca e, outras tantas apenas observo a transformação... Mesmo não sendo narcisista é o suficiente para quando olho-me no espelho, os cabelos brancos e as ruguinhas que, já são mais familiares não me incomodam, nem me deixam pilhada, pois estou gostando de tudo isso...
O que eu não gosto é do jeito que criamos nossos filhos, dando tudo e mais um pouco daquilo que não tivemos, tentando ser melhores pais, melhores amigos e fazemos tudo errado.
Todo sacrifício não basta, pois, eles serão cruéis quando tiver de nos deixar, principalmente a nós mães solteiras - ex-casadas tanto faz - que temos o cuidado de não nos aventurar com um gostosão que possa molestar nossos filhos, um gostosão que possa nos meter em encrenca, que possa nos expor; Nós escolhemos não arriscar e manter um ambiente familiar custe o que nos custar.
Hoje é isso que me conforta, quando não por mal, mas por ser assim que nossas crianças querem conduzir suas vidas, uma chega e diz mãe tô indo, a outra, mãe fui, nem tenho tempo de responder, elas já foram...
Graças à educação, exemplo e ao Pai Criador em boas companhias, sempre em lugares que aprovo, mas essa independência toda me choca, principalmente quando me vejo só. Olho para um lado e nada, para outro e nada, o que resta com todo amor represado?
Tirando as datas comemorativas onde os orfanatos recebem um número maior de visitantes, é lá o lugar de gente como eu; é lá o lugar de pessoas que ao invés de se lamuriar e ficar “poxa vida eu fiz isso, fiz aquilo e agora estou sozinha, meus filhos não percebem que abri mão disso ou daquilo e hoje o tempo não volta mais”, ao invés de, chorar os anos dedicados é hora de arregaçar as mangas e mãos a obra; Vamos cuidar das crianças que só podem ser crianças uma vez, duas, três, quatro no máximo ao ano.
Para aquelas mulheres que, criaram seus filhos sozinhas, ou praticamente sozinhas e, que agora se encontram mais sozinhas ainda, a dica é a seguinte: se tens tano amor assim represado, dê com os ombros quando eles fizerem no caixa eletrônico o saque diário ou semanal, abençoe ser uma fase que não sabemos quanto irá durar e, ao Pai que acompanhe nossos filhos e ao filhos de outros vamos cuidar; Quando nossos filhos já não nos querem mais - de duas uma - ou porque criamos muito mal ou criamos muito bem.
Hoje a independência faz parte do processo, nem é de todo bem nem mal, por isso a gente deve torcer para que as dores da vida cheguem a medida e hora certas e, que eles encontrem em nós os melhores amigos e assim possamos movimentar nosso ciclo maternal, enquanto nós não somos assim-assim - tão importantes, há os que necessitam de um abraço, de um curativo, de uma naninha nova, uma chupeta ou leite sem lactose, os que precisam de remédios e, alguém para administrar as doses, agasalhos e sapatos maiores, camisa do time de futebol ou uma mochila nova.
Sempre saímos com uma lista de necessidades, muitas dão trabalho, custam caro, mas as que são efetivamente mais urgentes, são aquelas que, não custam absolutamente nada além do tempo em que nos dispomos a sermos mães de filhos que não nasceram de nós.
Em média nos 360 dias em que poucas pessoas se lembram que em um orfanato muito além das coisas - o amor é o que nos proporciona dar os cuidados que podem vir a ser físicos, mas que seu maior propósito é tratar das necessidades profundas das almas.
Em meu corpo gostaria de gerar mais um filho e se homem "maravilhaaaa", isso me faria uma mulher mãe realizada, mas se assim não puder, meu coração abriga muitos filhos e filhas de todos os tipos, tamanhos e modelos cada um como um floco de neve, em meu inverno particular e secreto, pois fazer o bem não importa a quem e, sem dizer a ninguém...
Em partes, para poucos não é um segredo "minhas crianças", mas o que faço, como faço, quando faço é segredo sim, do contrário seria autopromoção, o que dispenso, aconselho que as mulheres sensatas e amorosas assim o façam; No anonimato é possível realizar muito mais e, com mais qualidade, pois se desconhece a vaidade.

Damos amor, recebemos amor, multiplicamos o calor e atenuamos a dor.




Mãe:  Elizabeth Cordeiro -  by BarbieBull®